A conspiração para derrubar Temer falhou, fez um estrago, mas o pior passou

Quando a população começar a sentir os efeitos da melhora econômica mais palpáveis, os números subirão na mesma velocidade que caíram durante os meses da conspiração

A conspiração para derrubar o presidente Michel Temer falhou, mas fez um estrago na avaliação do governo e no país como um todo. Atrasou as reformas – a Previdência já tinha sido aprovada sem as estripulias do conglomerado Janot-Fachin-Joesley – atrasando a recuperação da economia. Só que, mesmo nos escombros, a economia está reagindo.

Não só a economia como a avaliação do governo timidamente deu uma subida na última pesquisa do ano feita pelo Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria – CNI.

É só o começo. Quando a população começar a sentir os efeitos da melhora econômica mais palpáveis, os números subirão na mesma velocidade que caíram durante os meses da conspiração para derrubar o presidente Temer. E não descarto até mesmo o próprio presidente ser o candidato da base governista na eleição de 2018.

Venceu a estabilidade

O que importa é que deixem o país ter um pouco de normalidade institucional

Por 251 a 233, a Câmara dos Deputados não autorizou que o STF analise denúncia de Rodrigo Janot contra Michel Temer e seus dois ministros mais próximos, Eliseu Padilha e Moreira Franco. Janot acusa os três de participar de uma organização criminosa e ainda imputa a Temer crime de obstrução de justiça. As duas denúncias ficam congeladas até que o presidente e os ministros deixem os cargos.

Comparando com o resultado da primeira denúncia (263 a 251), que não tinha os ministros citados, o governo sai com 12 votos a menos a favor do presidente, mais enfraquecido. A oposição precisava de 342 votos. É difícil aprovar reforma previdenciária (308 votos). No máximo, um item da reforma e com muita negociação, inclusive com membros da própria base que votaram contra Temer.

O que importa é que deixem o país ter um pouco de normalidade institucional após o “furacão JBS”. Raquel Dodge é mais comedida que Rodrigo Janot e, provavelmente, não vai se basear nas palavras soltas de delatores loucos para diminuírem suas penas ou até sair da cadeia para elaborar uma terceira denúncia contra o presidente. Falta pouco para a eleição de 2018. Pouco mesmo para se livrarem de Michel Temer pelo voto.

Já são três votações entre impeachment e denúncias criminais paralisando a atividade legislativa, o Brasil. Venceu a estabilidade contra a loucra de Rodrigo Janot, a histeria coletiva e oportunismo rasteiro partidário.

Jair Bolsonaro

De novo, o presidenciável Jair Bolsonaro vota igual a deputados do PT e da esquerda contra Temer. Com um discurso de combate à corrupção que agrada sua tropa na internet, Bolsonaro confirma que não passa de mais um populista apenas virando a chave para direita. Ele acha que ganha uma eleição só com um celular na mão. O pior: acha que governa sem articulação política. Não sabe de nada, inocente.

jacobinos

O nível da atual Câmara (Congresso no geral) é horripilante. Só esquecem que os deputados (senadores) não caíram em Brasília de Marte, foram colocados lá por nós, pelo voto. Ou seja, a culpa é nossa. Não adianta agora querer tirar o seu da reta sem nem se lembrar do deputado na qual votou. E que fazer Justiça a qualquer preço não é o caminho correto. Pelo contrário, é o caminho da barbárie. Nem com golpes engendrados na calada da noite com escutas clandestinas e arapucas para satisfazer as vontades de um Procurador-geral.

Bonifácio de Andrada revela reais interesses de Janot no seu relatório

O real interesse é político

Relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB/MG) desnuda o real interesse de Rodrigo Janor, ex-chefe do MPF, de querer derrubar o presidente Michel Temer sem o mínimo de provas e colocando “jabutis” na denúncia que claramente afrontam a Constituição Federal. O real interesse é político.

Além de não colocar provas diretamente contra Temer, só a palavra de um delator sedento para sair da cadeia, Janot coloca fatos fora do mandato presidencial iniciado em 2016, o que afronta o artigo 86 da Carta Magna.

O relator anota para o fato de o presidente não ter mais o poder absoluto como tinha na Constituição de 1946 sobre toda a máquina pública, que não pode ser atribuído atos de subordinados ao presidente.

Bonifácio de Andrada deixa claro que a denúncia poderá ter prosseguimento quando o presidente e ministros (Eliseu Padilha e Moreira Franco, que são acusados com Temer) deixarem respectivos cargos. E que afastar o presidente Temer, agora, por no mínimo a 180 dias, em uma “denúncia claramente duvidosa”, representará uma crise de alta proporções ao povo brasileiro e as instituições brasileiras.

Números esquizofrênicos do Datafolha

Uma esquizofrenia brasileira ou uma trapalhada (malandragem) do instituto?

Datafolha trás números esquizofrênicos e mostra que o brasileiro está com sangue nos olhos e com gosto dele na boca. Não é para menos ao deparar com tantos escândalos e malas de dinheiro achadas em apartamentos. O problema dessa revolta generalizada é que agir pelo fígado nunca resulta em coisa boa.

Mais da metade dos entrevistados pelo instituto quer Lula preso, por tudo que já foi descoberto contra o ex-presidente. Mas tenho certeza que poucos sabem o artigo que embasaria um pedido de reclusão nem sabe em quais artigos do código penal Lula seria preso, pelos processos contra ele.

O mais interessante é que o brasileiro deseja Lula preso e presidente ao mesmo tempo, uma esquizofrenia brasileira ou uma trapalhada (malandragem) do instituto? Querem transformar o Palácio do Planalto num presídio de segurança máxima onde traficante continua dando ordens aos comandados nas favelas.

Outra coisa esquisita é o Datafolha insistir em colocar o nome de Sérgio Moro nas sondagens eleitorais apenas para alimentar a narrativa de confronto político entre o juiz e Lula, o que, apesar de algumas ações duvidosas de Moro, não existe.

Na mesma pesquisa do Datafolha, 89% da população deseja que a Câmara autorize já o STF investigar Michel Temer e, consequentemente, seu afastamento provisório da presidência.

Já foi comentado aqui a confusão de mais um afastamento de um presidente em pouco mais de 1 ano, e por uma denúncia contaminada em atitudes no mínimo duvidosas, além da sanha caçadora moralista. Queiram ou não, o governo Temer já conseguiu coisas que os últimos governos tentaram e nada, como reformas importantes.

Reforma do ensino médio (parada na Câmara desde 1998);
PEC do teto público (gastar o que arrecada);
Reforma trabalhista (desburocratizar relações trabalhistas, garantir mais segurança jurídica, mais empregos formais);
Fim da obrigatoriedade da Petrobras participar de toda exploração do pré-sal (participar nos poços estrategicamente viáveis para empresa), além de um política alinhada ao livre mercado, sem uso político-populista

O Brasil está quebrado e agora a economia começa a sair da mais grave recessão em décadas. Juros da Selic em queda, inflação de quase 3% em 12 meses. Governo Temer está saneando o Brasil para, aí sim, fazer o bolo crescer (crescimento econômico) e reparti-lo, obviamente o novo governo que sair das urnas que tocará o barco. Sem deixar, é óbvio, a população mais carente desamparada, aí entram os programas assistenciais (Bolsa Família, por exemplo).

Dizem que a economia andaria independente de Temer na presidência. Até pode ser verdade que a economia tenha ganho anticorpos depois de tantas crises políticas em sequência, mas nada garantido. E o afastamento de um presidente faltando pouco tempo para terminar o mandato e sem regras claras de uma eleição indireta, na minha humilde opinião, é um caos desnecessário.

A saúde (constitucionalmente de responsabilidade não exclusiva do governo federal) é o principal problema do país, para os entrevistados, seguida de corrupção e desemprego.

Mas algo de racional começa a brotar nas cabeças das pessoas. Aumentou quem deseja que Temer termine o mandato. Ou mais um caso de esquizofrenia ao querer que a Câmara autorize investigação imediata contra o presidente ao mesmo tempo que ele termine o mandato.

Governo Temer é vítima de uma inquisição moralista

Temer é uma ponte que precisa terminar este ciclo de governo começado em 2015 ou o Brasil vai cair em um escuro institucional muito pior do que já se encontra

Operação comandada por Rodrigo Janot e patrocinada pelo Grupo Globo está bem sucedida. Tudo começou na delação (super) premiada da JBS/J&F, e segue com a delação de Lúcio Funaro, que é base da segunda denúncia de Janot contra o presidente Michel Temer.

Não precisa pensar muito para concluir que a desmoralização do governo Temer favorece o governo Dilma, o PT, a esquerda mais radical. E a pesquisa CNI/Ibope veio comprovar a tese.

Aqueles que foram a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e agora querem a queda de Temer a qualquer custo também colabora com essa percepção que o governo de Temer é pior que o de Dilma.

É óbvio que não é. Basta ver os números inflação abaixo da meta do BC, juros abaixo de dois dígitos, recorde de pontos na Ibovespa, empregos com carteira assinada voltando, PIB voltando a crescer depois de três anos caindo, aos poucos o país vai saindo da recessão que o governo Dilma provocou.

Mas os moralistas querem derrubar este governo faltando exatamente um ano para a eleição de 2018. Eles não entendem que trocar novamente de presidente vai jogar fora todo um esforço e os ganhos já perceptíveis até aqui.

Temer é uma ponte que precisa terminar este ciclo de governo começado em 2015 ou o Brasil vai cair em um escuro institucional muito pior do que já se encontra, com as instituições batendo cabeça. Depois, quando deixar a presidência, aí ele vai acertar as contas com a justiça.

É muito óbvio que um governo vai ter 8/10 de rejeição quando quase toda a imprensa só noticia fatos de corrupção ligada ao presidente, com Procuradores querendo depurar a política, sem ser nas urnas, em uma verdadeira fogueira da inquisição.