Caso Master: Maior suruba institucional

Era uma vez…

Um banqueiro ostentação que arma um esquema para seu banco crescer sem base sólida, cria uma teia de influência com políticos de variadas matrizes ideológicas, com figuras importantes do judiciário para seus interesses e se proteger, só que a frágil estrutura do banco não se sustenta e seus amigos políticos tentam ajudar seu negócio com um banco público (BRB de Brasília).

Políticos amigos do banqueiro no Congresso Nacional propõem projetos de lei para lhe ajudar, como elevar o limite de saque do FGC dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão e acabar com a autonomia do Banco Central; ministro do TCU influenciado por estes políticos tentando interferir no Banco Central.

Escritório de advocacia da esposa de ministro do STF recebendo vultuosa quantia em honorários do banco do banqueiro por serviços que ninguém diz e explica quais foram.

Ministro do STF puxando para a corte a investigação contra o banqueiro por um contrato com um deputado que nem investigado no caso é, coloca sigilo máximo, toma decisões esdrúxulas e controvérsias, cria confusão com a Polícia Federal que é quem investiga e tem forte laço no mínimo suspeito com pessoas investigadas no caso (batendo o pé: daqui não saio e ninguém tira de mim).

Senador indicando ex-ministro da fazenda para o banco e consultoria de ex-ministro do STF e que viraria ministro da justiça que comanda a polícia que investigaria o banco; seu escritório de advocacia recebendo honorários mesmo no cargo do governo.

Ex-presidente do BC fazendo vista grossa para fraude financeira do banqueiro.

O caso do Banco Master do banqueiro Daniel Vorcaro é a maior suruba institucional no país acostumado com surubas institucionais.

Impeachment do Lula? Vem entender

O governo Lula (PT) está em uma enrascada. O Tribunal de Contas da União votou no plenário e referendou a decisão do ministro Augusto Nardes bloqueando parte do dinheiro do programa “Pé de meia”, um programa que deposita uma quantia em conta bancária em nome de alunos do ensino médio.

A encrenca está no fato que o ministério da Educação fez esse repasse ao programa fora do orçamento aprovado pela Congresso Nacional, o que pode ser caracterizado como crime de responsabilidade. Dilma Rousseff (PT) caiu justamente por “pedalar” o orçamento da União. Dilma usou créditos extraordinários sem autorização do Congresso.

Sabemos muito bem que não foi exatamente por isso que ela caiu. Foi mais por ter perdido a governabilidade pela perda de popularidade vinda das crises que assolaram o seu segundo mandato. Mas vamos ao que importa. Lula vai cair? O impeachment sai? A oposição se animou com a decisão do TCU.

O presidente apesar de não estar nadando em águas tranquilas, a sua popularidade passa longe da Dilma entre 2015 e 2016. O apoio no Congresso não é tranquilo, mas o governo consegue aprovar muitas pautas de seu interesse.

Primeiro, acho difícil a oposição conseguir os votos necessários para tirar Lula da presidência abreviando o seu mandato. São necessários 342 votos para a admissibilidade na Câmara dos Deputados, passando e após um longo trâmite, o Senado Federal vota e também precisa de quórum qualificado (54 votos) para o impeachment ser aprovado.

Segundo, o Congresso está em recesso e o atual presidente da Câmara que autoriza o processo, Arthur Lira (PP/AL) está negociando um ministério para si após o fim do mandato. O sucessor de Lira, Hugo Motta (Republicanos/PB), tem o apoio do governo para virar o próximo presidente. Ele também tem o apoio do PL, mas muito provavelmente Motta tenderia a favor do governo e não vai abre um processo de impeachment.

Acho que pela parte da oposição seria gastar munição para nada. Paralisaria o governo em ano de véspera da eleição presidencial provocando estrago nele, mas usariam a carta da democracia, acusariam uma tentativa de golpe e Lula não é Dilma.

Também não sei até que ponto a população em sua maioria apoiaria a causa do impeachment. Não se esqueçamos que o STF é aliado do atual governo e diferentemente de 2016 o tribunal poderia intervir barrando o processo. Os atuais ministros gostam de em uma canetada intervir no parlamento.

De qualquer forma, fortes emoções nos aguardam no retorno das atividades do Congresso e do STF em fevereiro.