
Uma imagem na capa do jornal Folha de São Paulo da última quarta-feira comoveu a internet. Crianças tiveram mochilas revistadas por soldados do Exército. É comum traficantes usarem crianças para várias funções no tráfico, inclusive usar bolsas de estudantes para transportar drogas. Por que não? Quem suspeitaria?
Não aconteceu nada com as crianças. A imagem de uma garotinha negra com cara de espanto olhando para um soldado choca no primeiro momento. Quem garante, porém, que o olhar dela é de medo? Pode ser até de admiração e, mais provável, de curiosidade.
Mas a imagem viralizou na velocidade de uma bala e oportunistas contrários a usar Forças Armadas no papel de polícia e contra a intervenção federal na segurança do Rio logo ficaram revoltados com tal procedimento. Mais engraçado é a revolta por vistoria nas mochilas de crianças e nada de se revoltar contra traficantes que usam crianças para vários serviços do tráfico, inclusive transportar drogas na mochila de estudantes.
Para essa turma de revoltadinhos traficante é “vítima” de uma política que fracassou – guerra às drogas – e o melhor é liberar ou descriminalizar a maconha, até drogas pesadas. Para essa turma se combate o crime organizado com vídeo de imagens bonitas ao som de Imagine, flores, texto e hashtag em rede social.
No fundo, artistas como Gregorio Duvivier e os playboy da zona sul estão com medo da intervenção sufocar o comércio de drogas e do preço da maconha subir ou ficar escasso. Quem compra drogas financia o tráfico e suja as mãos de sangue das vítimas de bala perdida, dentre elas crianças, centenas de polícias mortos só em 2017.
Os “descolados” estão pouco se importando com o Rio, se a cidade, o estado e o país vivem uma guerra civil não declarada. A turma só quer “fumar, cheirar, lacrar, comer, berber e meter” ouvindo Pabllo Vittar e Anitta. Quem explora a foto não está nem aí com a criança, desde que ajude a propagar as ideias e a vencer a narrativa.