Os mesmos métodos

No Brasil, os esquemas ilegais se sucedem um após o outro e alguns copiados por outro grupo político do que não o autor deles. O grande culpando por escândalos de corrupção e malfeitoria com dinheiro público é a impunidade.

Como os responsáveis não são punidos adequadamente e quando são, a prática é liberada. Alguns tomam mais cuidado em novos esquemas, enquanto outros nem ligam porque sabem que se pegam vai pegar mal para sua imagem, mas não vai ter consequência jurídica por ter entrada em gabinetes de autoridades poderosas.

O escândalo na CEPERJ e UERJ, órgãos públicos sendo usados para pagar cabo eleitorais, que deixou o ex-governador Cláudio Castro (PL) inelegível, tudo indica que está sendo replicado pelo governo do presidente Lula (PT). É o que mostra reportagem do UOL, o mesmo veículo que denunciou o esquema do Castro.

Precisa de uma investigação e chegando a conclusão que o governo federal usou o mesmo esquema do governo do RJ, é precioso punir os responsáveis e pode acontecer com Lula o mesmo que aconteceu com Castro. Afinal, o pau que bate no chico tem que bater em Francisco.

Terra plana capota

Na foto da imagem acima temos Celina Leão, Jorginho Melo, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Eduardo Riedel.

Celina era vice-governadora do DF e virou governadora em busca da reeleição, Jorginho e Riedel já eram governadores buscando a reeleição em SC e MS, Zema e Caiado eram governadores de MG e GO e são pré-candidatos a presidente da República.

Todos correram para abraçar, se solidarizar e tirar foto com Cláudio Castro após o morticínio da operação policial que matou mais de 100, se tornando a mais violenta da história do Brasil, para tirar uma casquinha da popularidade que teve a operação.

Agora estão todos em silêncio com a derrocada do ex-governador do Rio de Janeiro que virou investigado no caso Master e suspeita de envolvimento com mega sonegador que tem ligação com facção criminosa.

Justiça politizada

O governo do Rio de Janeiro está no vácuo. Sem governador, sem vice e sem o presidente da Assembleia, precisou o presidente do Tribunal de Justiça assumir o governo.

Tudo explicado aqui. A confusão é por cálculo eleitoral. O grupo que estava no poder quer permanecer para impulsionar o candidato dele que será o deputado estadual Douglas Ruas (PL). Já a oposição liderada pelo pré-candidato Eduardo Paes (PSD) quer que seja realizada eleição direta agora ou que o presidente do TJ continue até que o próximo governador seja eleito em outubro.

O lado político do STF tenta fazer o que a oposição deseja: eleição direta e até definir vai deixando o desembargador Ricardo Couto no cargo.

Ocorre que isso é péssimo para a democracia e muitos estão aplaudindo esse precedente gravíssimo, inclusive jornalistas, por ser contra o grupo do governo anterior e porque o desembargador estaria fazendo uma limpa na máquina pública fluminense.

Com a justiça cada vez mais politizada interferindo em assuntos estritamente políticos os governos estaduais,
municipais e até o governo federal estão ameaçados de sofrerem uma intervenção do judiciário, com o procedente aberto no RJ sendo o caminho.

Mesmo que o desembargador esteja passando a limpo o governo do Cláudio Castro, ele não foi eleito para isso. A função dele no cargo do executivo era para ser uma ponte para um governo transitório eleito em eleição indireta pelos deputados da ALERJ. A manobra do ex-governador para não ser cassado não autoriza ministros passar por cima do Tribunal Superior Eleitoral que apenas cumpriu a lei.

Carandiru carioca

Não é fácil escrever o que aconteceu no Rio de Janeiro entre ontem e hoje. Não existe mais possibilidade de conversa e debate. O debate público virou torcida no pior sentido. As pessoas passaram a defender a sua opinião independente dos fatos e defendem o seu lado ideológico com mais vontade do que o seu time de futebol ou a seleção em copa do mundo.

Governador Cláudio Castro (PL), que já possuía as operações policiais mais letais do RJ, conseguiu superar o massacre do Carandiru de São Paulo. 121 a 111. É o placar do campeonato da carnificina.

Para o secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, quem reclama da operação é “narcoativista”. É para aplaudir uma operação que resultou em mais de uma centena de cadáveres, com 4 policiais que deixaram famílias chorando, o palanque perfeito para as eleições.

Mais de uma centena de cadáveres que, mesmo que de alguma forma faziam parte do Comando Vermelho, não é assim que devem ser tratados: condenandos à morte de forma sumária, sem investigação e julgamento. (PS: NÃO EXISTE PENA DE PENA MORTE NO BRASIL e mesmo em países que aplicam a pena capital existem trâmites legais)

Definitivamente, não é esse o modelo bem sucedido de combater o crime.