Beija-Flor ensinou como se faz desfile crítico

A Beija-Flor de Nilópolis encerrou os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro com chave de ouro. Levando para avenida enredo baseado no livro de “Frankenstein”, que na verdade originou o enredo.

Com o título “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, Beija-Flor deu uma aula de enredo crítico sem ser partidarizado. A escola de Nilópolis falou de corrupção, abandono do poder público, as consequências desse abandono, de intolerância. Tudo isso com excelente samba que empolgou o público e sem partidarizar a favor de partidos, muito diferente do desfile no dia anterior da Paraíso do Tuiuti, que seu carnavalesco fez uma crítica social enviesada politicamente.

Beija-Flor também se diferenciou da Mangueira. Mostrou que não precisa nomear ou usar a religião de políticos para critica-los de modo sarcástico.

Se os jurados julgarem corretamente, como deve ser, ninguém tira esse carnaval da Beija-Flor. “Ratos e urubus, larguem minha fantasia” ganhou uma companhia na galeria de desfiles monumentais da escola de Nilópolis.

Tuiuti fez desfile para “lacrar”

Se Temer se vestisse de “Presidente NEOLIBERALISTA”, sua popularidade subiria para níveis históricos

A escola de samba Paraíso do Tuiuti levou para avenida os 130 nos da Lei Áurea, uma crítica social foda sobre a escravidão moderna e o “cativeiro social”. A polêmica ficou por conta de uma ala representando os “paneleiros” de verde-amarelo sendo manipulados por uma mão que seria do “vampirão neoliberalista” com faixa presidencial.

Sou muito a favor de escolas de samba instigar reflexões e debates, mas o que o carnavalesco Jack Vasconcelos fez foi apenas aproveitar o pano de fundo do tema escravidão para propagar ideologicamente a mentira de que a reforma trabalhista é “escravidão moderna”, difamar os milhões de brasileiros que foram às ruas contra o governo Dilma e escrachar o atual presidente.

Não foi Coragem. Coragem era fazer um desfile crítico ao Lula em 2010, quando ele deixava o governo com mais de 80% de aprovação. Ou um desfile crítico a uma ditadura. O desfile da Tuiuti foi “lacração” pura e serviu de palanque para políticos oportunistas. E comparar a reforma trabalhista com escravidão além de burrice é um brutal desrespeito para com a memória dos escravos, de quem sofreu na escravidão!

Pior ainda é saber que a Tuiuti só desfilou ontem porque o rebaixamento de 2017 foi cancelado antes da apuração passada em virtude dos acidentes nos desfiles da Unidos da Tijuca e da própria Tuiuti, inclusive o da última com vítima fatal e controvérsia em relação ao acidente com o carro alegórico pivô do acidente.

Visualmente, a Tuiuti fez um desfile empolgante para quem estava na Sapucaí ou assistindo pela TV e, claro, para turma “Fora, Temer” das redes sociais. Um julgamento justo deixaria a escola no Grupo Especial e não seria loucura voltar no desfile das campeãs. Mas meu desejo é o rebaixamento da escola pela “blasfêmia” de ontem e, principalmente, também pelos acontecimentos de 2017.

Não bati panela, mas não me arrependo nada de ter apoiado o impeachment da pessoa que jogou o país na pior crise da história e não tenho medo de falar que apoio o presidente que está reerguendo a economia brasileira.

Polícia Federal – A lei é para todos é essencial para entender a Lava Jato

Assisti só agora o filme Polícia Federal – A lei é para todos. É um filme bem produzido com cara das séries policiais americanas. O que chamou mais atenção foi o detalhismo na pesquisa da operação Lava Jato para produção do filme, bem antes da prisão do doleiro Alberto Youssef até um pouco além da condução coercitiva do ex-presidente Lula.

Não vi o partidarismo que os críticos ao filme viram – críticos que na verdade são críticos da operação que virou a política brasileira do avesso. O que eu vi foi um filme baseado em fatos reais, quase documentário. Um documento histórico do Brasil. A partidarização – e o filme tenta tirar essa impressão em uma cena maravilhosa do delegado com uma jornalista que acusa a operação de jogar contra o PT – do filme se deve por ser a primeira parte de uma trilogia. É impossível contar tudo o que aconteceu desde 2014 até o lançamento do filme em 2017.

Também houve quem achou o filme meio que peça de propaganda da PF. Realmente passa a impressão que os delegados federais, promotores e o juiz Sérgio Moro são “imaculados”, talvez esse seja o maior erro do filme: fantasiar muito as autoridades da operação. Mas pode ser corrigido na sequência da série e há fatos reais para mostrar desvio de conduta de agentes e autoridades.

Polícia Federal – A lei é para todos é essencial para entender a operação que trouxe à luz como funcionava não só o mega esquema de corrupção na Petrobras, mas a engrenagem do sistema político partidário brasileiro, a simbiose entre o poder público e empresários – no caso específico os empreiteiros – que ajuda a entender muito dos nossos problemas sociais e econômicos. E, ao elogiar o filme, isto não me impede de apontar os erros cometidos e os que ainda possam acontecer na Lava Jato.

Anomalia

Se tem uma coisa que odeio é jornalista que se finge de isento – “nem direita, nem esquerda” – só que no fundo é carregado de ideologia. É normal e todos têm ideologia, uns mais e outros menos. Errado é fingir certa isenção. Prefiro mais os que vestem a camisa de um partido ou causa do que os “isentões”.

O grupo Globo sempre teve lado e usou o jornalismo e a teledramaturgia para defender seu lado. No jornalismo deu uma baixada de bola e tenta ser o mais parcial possível, mas sempre distorcendo fatos em prol de determinada pauta. Na teledramaturgia e área de shows virou “porta arrombada” para defesas das mais esdrúxulas bandeiras em nome da “diversidade”.

Autores das novelas globais não escondem sua preferência partidária-ideológica e os programas como “Encontro” da Fátima Bernardes, “Esquenta” da Regina Casé, “Amor & Sexo” da Fernanda Lima entre outros tentam de toda forma afrontar quem é contra certos tipos de comportamentos, chegando ao cúmulo de defender um homem nu ser tocado por uma criança em nome da “arte”.

Não fica nisso. A Rede Globo tenta influir no processo de decisões da política, economia e comportamento. É fato e notório que a Globo está engajada na candidatura presidencial de Luciano Huck – mesmo escrevendo artigo dizendo que não é candidato, Huck pediu ao presidente do Ibope para não excluir seu nome nas pesquisas de intenção de voto – tendo o ápice a aparição de Angélica e Luciano no programa de Fausto Silva, no primeiro domingo de 2018.

O sonho do Grupo Globo é eleger o próximo presidente com a característica do presidente francês Emmanuel Macron e do ex-presidente americano Barack Obama. Já a turma liberal dos jornalistas “isentões” gostaria de eleger um Justin Trudeau, o Primeiro-Ministro canadense que beija o opositor NA BOCA em protesto contra a homofobia.

A imprensa brasileira é dividida em três tipos de esquerda: socialista, social-democrata e liberal nos moldes dos norte-americanos. Não temos na grande imprensa um veículo 100% de direita que rompa com a hegemonia esquerdista nos meios de comunicação, o que nos leva a uma lacuna que faz falta para um verdadeiro debate de ideias e ideais.

Na mídias ditas alternativas já temos inúmeros blogs com posicionamento “100% direita”, mas falta na mídia que dita o comportamento e opiniões na sociedade. Quem sabe um dia surja uma Fox News brasileira para disputar com a Globo News, uma emissora aberta ortodoxa para confrontar ideias da TV Globo e um portal conservador para rivalizar com o esquerdismo do UOL.

Surubinha vai além de gostar ou não de funk: é crime

Foto de Yasmin Formiga

Não é de hoje, nem de ontem, que o declínio musical está assombroso. Músicas que fazem sucesso inexplicavelmente. Ou melhor, porque o declínio é geracional e a próxima tem tudo para ser pior.

A popularidade de funks muito se deve a batida musical e dane-se a letra. Mas agora chutaram o balde e produziram uma aberração que vai além da questão de gosto. Surubinha é um funk do MC Diguinho produzido em 2017, mas que deve ser o hit do carnaval 2018. Seria só mais um funk bom para quem gosta do gênero. Não é o meu caso, nem pretendo entrar nesse mérito. O grande problema é uma parte da letra. Apologia explícita ao estupro.

Cadê as feministas moderadas e as radicais que fazem um dramalhão para qualquer coisa quando tem um caso concreto de machismo, misoginia e o agravante de apologia ao estupro? Cadê o Ministério Público?

Depois de “meu pau te amo”, não pensei que fossem descer mais um degrau na involução da espécie rumo à barbárie. Não é só não gostar de funk, a letra afronta o código penal. A dupla Claudinho e Buchecha produziram ótimos funks que fazem refletir socialmente até os dias atuais. E outros funks clássicos da década de 1990, por exemplo “É só mais um Silva” e “Eu só quero é ser feliz”.

Funks da atualidade são só letras vulgares, obscenas, apologistas a tudo que não presta apenas para explodir e fazer sucesso, além de emburrecer as pessoas. No país de Anittas, onde vale mais rebolar a bunda do que um ato heroico e suicida de uma professora para salvar crianças, surubinha faz sucesso.

Para não ser acusado de ser elitista e preconceituoso com “os manos”, encerro com um funk histórico em que não precisou ter letra obscena ou apologia às drogas e putaria para passar sua mensagem com um sucesso retumbante em um tempo que não existiam redes sociais.