Caso Filipe Martins é uma mancha na PF e STF

Aconteceu de novo. Quem deveria zelar pelo devido processo legal passou por cima dele, No passado, o juiz Sergio Moro e procuradores que conduziam a operação Lava Jato sentiram no direito de “trocar figurinhas” no escurinho de aplicativos de mensagens. Juiz e acusação trocando informações antes de julgamentos, com direito a dicas de quem decidiria se réus seriam condenados pelos crimes em um dos maiores escândalos de corrupção do mundo.

Um hacker obteve as mensagens, passou a um jornalista (gringo) e esse publicou. O resto é história. Os réus buscaram e conseguiram anular suas condenações, inclusive Lula, com direito a anulação de multas na casa de milhões, bilhões.

O julgamento da trama golpista é controverso e não adianta Miriam Leitão se fazer de sonsa repetindo o roteiro que os ministros do STF junto a PGR fizeram. Jair Bolsonaro tentou se manter na presidência da República, mesmo após ser derrotado no voto, pressionando os comandantes militares a uma insurreição contra o TSE entre novembro e dezembro de 2022. Só que Alexandre de Moraes e Paulo Gonet não queriam focar só nesse período na denúncia. Tinha que abarcar a quebradeira do 8 de janeiro de 2023 e os questionamentos das urnas eletrônicas. A peça acusatória do Gonet virou um Frankenstein criminalizando críticas políticas contras as urnas eletrônicas e autoridades. Mesmo que as críticas na sua maioria fossem fora da realidade, é perigoso criminalizar crítica política.

Condenaram centenas de pessoas que participaram do 8 de janeiro no foro errado, sem individualização, com penas desproporcionais. Arruinaram vidas só para acabar com um movimento político que pode ser ruim, mas tem voz e direito de existir. E nem conseguiram. O bolsonarismo segue firme.

Mas o pior foi o que fizeram com Filipe Martins. Esse cara merece uma indenização gigante pelo que agentes do Estado brasileiro e americano fizeram com ele.

Pois bem, nos próximos dias vai explodir uma bomba que vai sacudir a República e as relações Brasil-EUA novamente. A justiça americana já sabe os nomes de quem forjou documento de entrada em outro país que não aconteceu para justificar a prisão preventiva do cidadão. Martins foi trancado numa solitária para arrancar dele uma delação premiada. O pecado dos malandros é achar que todos são otários. E fazer o que fizeram nos EUA é gostar de brincar com o perigo.

Se Fabio Shor participou da farsa que prendeu Martins, que curiosamente o responsável pelo inquérito do golpe depois do julgamento foi para o gabinete do relator, tudo precisa ser anulado imediatamente. E se Moraes participou, não só tem que deixar a toga como responder criminalmente.

Preciso dizer: eu avisei. Atropelar leis para fazer justiça sempre termina mal. Pior vindo da Suprema Corte.

Mais uma dos “templários” do governo

Ler o slogan de campanha extrapola do patriotismo para o proselitismo político ideológico

Ernesto Araújo, Damares Alves e Ricardo Velez Rodriguez, além do Assessor Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, todos capitaneados por Eduardo Bolsonaro sob as bençãos de Olavo de Cavalho e Steve Bannon, formam a ala ideológica do governo do presidente Jair Bolsonaro e em um período curto já provocaram polêmicas inúteis, desnecessárias e desgastantes para o governo (algumas forçadas pela imprensa).

A última veio por intermédio do Ricardo Velez, e pra mim a mais grave, recomendando que as escolas públicas e privadas coloquem os alunos para cantarem o hino nacional e leem um pequeno texto enviado pelo MEC com o slogan da campanha de Bolsonaro – Brasil acima de tudo, Deus acima de todos. Não para por aí. O ministro quer que as escolas gravem e mandem para o ministério.

Os alunos cantarem o hino nacional resgatando essa tradição não vejo problema e é salutar para o espirito patriótico há muito perdido. Agora, ler o slogan de campanha extrapola do patriotismo para o proselitismo político ideológico, o que o ministro diz lutar contra a doutrinação ideológica nas escolas. Ou seja, o ministro está traindo o Movimento Escola Sem Partido ou é contra a doutrinação de esquerda e a favor da doutrinação da sua ideologia.

Essa “recomendação” é ilegal e imoral. Mais um desgaste desnecessário no momento que todos no governo deveriam estar focados na batalha pela reforma da Previdência, no pacote anticrime de Sérgio Moro. Mas os ministros chancelados por Olavo de Carvalho preferem focar em guerra ideológica de olho em um projeto de poder muito parecido com o projeto de poder do PT.