
Há 40 anos o Brasil iniciava um novo ciclo político. Chegava ao fim o regime militar que governava o país desde 1964. A eleição do presidente Tancredo Neves não foi por via de eleições diretas, mas graças a uma união de forças conseguiu derrotar no colégio eleitoral o candidato dos militares, Paulo Maluf.
Mas a euforia passou a drama com o adoecimento de Tancredo e posteriormente sua morte antes de assumir a presidência da República. O mineiro Tancredo era a esperança naquele momento dos brasileiros por um novo país.
O clima de aflição tomou conta como seria resolvido o impasse. Se os militares deixariam o vice-presidente José Sarney assumir. Sarney era aliado da caserna e rompeu para formar a frente democrática que elegeu Tancredo.
Depois de uma negociação conduzida por Ulysses Guimarães, os militares aceitaram passar o poder ao Sarney, que assumiu em 15 de março de 1985. Mas o último presidente militar João Figueiredo se recusou a passar a faixa presidencial, gesto que só se repetiu na última transição de poder quando Jair Bolsonaro não passou a faixa para Luiz Inácio Lula da Silva.
O governo Sarney ficou marcado por planos econômicos para conter a hiperinflação frustrados, mas também foi no seu governo que a democracia foi restabelecida com a convocação da assembleia constituinte que elaborou e promulgou a Constituição de 1988, a mais longeva da República.
Estamos longe de ser uma democracia perfeita e acho impossível chegar a perfeição. Como disse Winston Churchill, a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as demais. Hoje é um dia para comemorar. Sangue foi derramado por ela. Mesmo passando por obstáculos a democracia brasileira não sucumbiu.


