Tagliaferro x Moraes

Entre os muitos absurdos do ministro Alexandre de Moraes em várias decisões, a última contra o Eduardo Tagliaferro é a coroa. Moraes na sua saga de vingança contra o seu ex-subordinado no TSE que resolveu contar tudo que rolou na surdina durante a eleição de 2022 está atropelando a defesa do réu, a Defensoria Pública, PGR e consequentemente as leis e a própria Constituição da República.

O ministro simplesmente cortou os advogados constituídos alegando uma protelação dolosa do processo e colocando a DPU para assumir a defesa. A Defensoria Pública fez sua parte alertando que o ministro violou preceitos básicos da Constituição ao cortar os advogados, mas ele deu as costas e insistiu com a sua decisão.

Em primeiro lugar, o processo contra o Tagliaferro não era para estar no STF (sem foro especial). Moraes ser o relator é outra anomalia por ser o alvo de conversas vazadas pelo réu que mostraram uma sofisticada engrenagem de perseguição a um lado político que começou antes e se intensificou nas eleições.

Na ânsia de caçar (com ç) os propagadores de fake news nas redes, Moraes passou por cima das leis e viu tudo ser exposto por quem recebia e executava as ordens. Moraes era para estar no outro lado sendo julgado por suas ações. Um dia prestará contas.

Moraes era sócio oculto do Master?

Alexandre de Moraes foi envolvido no caso Master antes de explodir. Antes da primeira operação da Polícia Federal que prendeu Vorvaro já existia um clima de desconfiança com o ministro pelo contrato muito vantajoso de quase R$ 130 milhões – recebeu quase 80 milhões – para um serviço mal explicado pelo escritório Barci de Moraes

Depois foi descoberto que o ministro frequentava a casa do banqueiro, em convescotes regados a charuto, eventos, degustava whisky caro. Tudo isso junto com aquela notícia da Malu Gaspar de que o ministro fez pressão no Gabriel Galípolo para o BC aceitar o BRB comprar o Master agora faz sentido.

Bolsonaristas ameaçavam o ministro com a Lei Magnitsky e as autoridades do governo americano de Trump davam sinais que aplicariam a sanção, o que aconteceu no mesmo período que Moraes decretou a prisão domiciliar em Jair Bolsonaro.

Antes disso, o ministro esteve na casa de Vorvaro e quem estava com eles? O então presidente do BRB que foi preso na mais recente operação do caso, o senhor Paulo Henrique Costa. Moraes também fez uso de jatos das empresas vinculadas ao banqueiro e a resposta do escritório Barci de Moraes que os voos faziam parte do pagamento do contrato piorou o que era péssimo. O que o ministro fazia nos voos sem fazer parte do escritório? Quem pagou a parte dele?

Para fechar o quebra cabeça, Moraes encerrou o inquérito contra Ibaneis Rocha (MDB) sobre o 8/1 no mesmo período que o governador do DF fazia pressão para o negócio BRB-Master acontecesse ignorando os alertas que não era vantajoso.

O ministro ficou desesperado com a possibilidade de ser sancionado pelo governo dos EUA e não poder ter contas em bancos e cartão de crédito de bandeira americana. E outros serviços.

Daí surgiu a oportunidade de ter participação em um banco que aliviava a situação e apareceu Daniel Vorcaro. Em novembro veio a prisão definitiva de Bolsonaro e o ministro despachou direto de Dubai, o mesmo destino que Vorcaro disse que iria ao ser preso. Em dezembro caiu a Magnitsky.

O que foi escrito será confirmado na delação do banqueiro e de outros que também pretendem contar e confessar os crimes que participaram. Ou não.

Obsessão com cálculo político

Alexandre de Moraes pegou uma obsessão patológica por Jair Bolsonaro. A última é determinar em 24 horas que a defesa explique a fala de Eduardo na CPAC em que mandaria um vídeo ao ex-presidente.

Moraes proíbe o uso de celular/internet e entrevistas por parte de Bolsonaro, inclusive por terceiros. Medidas que vão além do permitido na legislação e da lógica.

O que Moraes quer é deixar Bolsonaro completamente incomunicável em todas as mídias, que seus filhos e aliados não explorem politicamente o legado dele, uma estratégia para tentar asfixiar o bolsonarismo.

O Bolsonaro cometeu crime contra a democracia nas reuniões com os comandantes militares procurando formas de anular o resultado eleitoral de 2022 (o 8 de janeiro foi só uma confusão generalizada que resultou em quebradeira), mas o que Moraes faz não é justiça.

A blindagem ao crime

Todo tipo de crime que mexe com movimentação bancária estaria blindado de investigação

Alexandre de Moraes deferiu o golpe que pode ser fatal nas operações anticorrupção, as futuras e as que estão em curso – até as do passado, afinal, no Brasil até o passado é incerto).

Aproveitando que é relator de uma ação que questiona justamente o uso de relatórios do COAF, Moraes determinou uma série de regras que praticamente inutiliza o órgão de fiscalização financeira para ações de combate ao crime.

Todo tipo de crime que mexe com movimentação bancária estaria blindado de investigação. O ministro resolveu chutar o balde. Para brecar possíveis ações criminais contra ele próprio, Moraes tenta sacrificar o combate a todo tipo de corrupção sem o menor pudor.

Veremos se o corporativismo dos ministros vai prevalecer quando essa aberração for a julgamento. É preciso algo urgente ser feito. Manifestações populares, abaixo-assinado, protestos na imprensa, formadores de opinião, juristas, influencers digitais.

Se ninguém fizer nada, passa fácil e o país será definitivamente o paraíso da impunidade e do crime.

Xandão é autoritário

Alexandre de Moraes levou o estilo xerife quando procurador para política nos governos do PSDB em São Paulo e governo Temer. Ganhou o apelido de Lex Luthor.

O estilo xerife ficou mais evidente ao chegar no STF e virar o relator do inquérito aberto de ofício por Dias Toffoli para a autodefesa dos ministros no auge do conflito com o bolsonarismo. É simbólico que a primeira medida tomada por Moraes nesse inquérito tenha sido a censura contra a revista Crusoé que trazia a reportagem “o amigo do amigo do meu pai”, em referência a Toffoli.

Encurralado pela estranha proximidade com o banqueiro encrencado Daniel Vorcaro, Moraes vai ao ataque de novo contra a imprensa. O alvo é um jornalista que publicou no seu blog uma denúncia que a família de Flavio Dino usa um veículo do TJMA de forma ilegal.

No lugar de buscar esclarecer a grave denúncia vai pra cima do jornalista em uma tentativa de intimidar a imprensa que joga luz na sua estranha relação com o banqueiro. E com o apoio do nosso querido PGR Paulo Gonet, que é o Flash em certos casos e na defesa dos penduricalhos do judiciário e do Ministério Público, mas para investigar possíveis crimes contra poderosos é uma tartaruga (quando não se omite ou os protege).

Moraes, que antes era odiado pela esquerda e passou a herói da democracia, na verdade tem tendência autoritária, com possibilidade de ser um corrupto.

Pesquisa Datafolha mostra que 43% da população não confia no STF e no judiciário, o índice mais alto desde 2012 quando passou a ser feito o levantamento. Esse grau de rejeição tem componente político, mas a colaboração dos senhores ministros não é pouca e a tendência é aumentar nas próximas pesquisas.