Lula prefere o ressentimento reacionário

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Lula diz que não é “maria vai com as outras” para aderir a movimentos suprapartidários em defesa das instituições, do estado de direito, da vida, a liberdade e a democracia. Como o “Estamos Juntos“, que tem Fernando Haddad como signatário.

Veja o que Lula falou: “Li os manifestos e acho que tem pouca coisa de interesse da classe trabalhadora. Não se fala em classe trabalhadora, nos direitos perdidos” e “Sinceramente, eu não tenho mais idade para ser maria vai com as outras. O PT já tem história neste país, já tem administração exemplar neste país. Eu, sinceramente, não tenho condições de assinar determinados documentos com determinadas pessoas. [Tem] muita gente de bem que assinou. E tem muita gente que é responsável pelo Bolsonaro.”

Ressentimento, egoismo e reacionarismo. Não é hora para rancor por fulano, sicrano votou/apoio o impeachment de 2016 ou segregar por classe social.

Desde a participação do Felipe Neto no Roda Viva “pagando pedágio” para entrar no clube progressista diminuiu uma onda que se formava para uma frente ampla contra os ataques às instituições por Jair Bolsonaro e sua irresponsabilidade genocida em relação a COVID-19.

No fundo o PT e uma parte da esquerda desejam que Bolsonaro termine o mandato sangrando porque assim seria o caminho para voltar ao governo. Com esse sectarismo e estratégias erradas o que conseguirão é reeleger o bolsonarismo.

Brasil rumo a uma nova ruptura

O que sobrou das instituições tem que se impor e frear a escalada disruptiva

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O projeto de poder bolsolavista não se contenta em ganhar o debate público e eleições, a meta é a destruição de quem considera inimigo (quem não está com ele) – nas próprias palavras do Olavo – e se apropriar do Estado destruindo as instituições. Não aceita pesos e contrapesos. Faz uso de espantalhos (comunismo é o mais usado) para fazer lavagem cerebral nas pessoas. Os seus discípulos usam o combate à corrupção como bandeira, mas fazem igual ou pior do que acusam nos adversários e se refestelam nas benesses do poder.

Faz uso do sentido de família (tradicional) para despejar seus preconceitos mais abjetos. Toma de assalto os símbolos nacionais, como movimento nacionalista que é. É escravocrata e supremacista. Se apropria do nome de Deus usando a religião como palanque político. Para o bolsolavismo a democracia não é um fim a ser alcançado, é o meio para chegar ao poder. A democracia para eles é “eu mando, você obedece” e o voto popular é a autorização para os desmandos.

Alexandre de Moraes é uma das poucas autoridades que não fica só em nota de repúdio contra a malta que está destruindo as instituições da República a serviço do projeto autocrata e autoritário que tem Jair Bolsonaro líder político, e Olavo de Carvalho como guia e mentor intelectual desse projeto de poder. Já Augusto Aras… O senhor Aras está transformando a PGR num puxadinho do Palácio do Planalto em troca de sabe lá o que. Agradecendo indicação fora da lista tríplice? A vaga aberta de Celso de Mello, no STF, em novembro ou a de Marco Aurélio Mello, em 2021, quando termina o mandato como chefe do MPF?

O Congresso Nacional está sendo comprado. O STF emparedado pelas milícias digitais. Os militares talvez não embarcariam numa nova aventura golpista. Marinha e Aeronáutica estão mais distante do governo, enquanto o Exército entrou de cabeça, quase uma intervenção branca. General Heleno piscou para os militares na nota golpista de sexta-feira (22) e militares da reserva estão assanhados. O que aconteceu no Ceará, em fevereiro, foi um teste na formação de um grupo para-militar similar aos “camisas negras” de Mussolini.

Mas o bolsonarismo não vai aplicar um golpe com tanques. O golpe (ou autogolpe) é a degradação dos poderes da República até sobrar só a presidência (e as Forças Armadas, se curvando ao presidente) como único poder incorruptível no imaginário popular. A única instituição confiável junto com as Forças Armadas e a igreja. Os “camisas negras” – grupo formado por PMs, militares de baixa patente e civis armados – ficariam de prontidão.

Chega de notas de repúdio e discurso conciliador com quem não quer conciliação. Não tem mais diálogo. O que sobrou das instituições tem que se impor e frear a escalada disruptiva quando ainda é tempo. Mas temo que seja tarde e pouco ou nada pode ser feito para evitar o pior.