
O projeto de poder bolsolavista não se contenta em ganhar o debate público e eleições, a meta é a destruição de quem considera inimigo (quem não está com ele) – nas próprias palavras do Olavo – e se apropriar do Estado destruindo as instituições. Não aceita pesos e contrapesos. Faz uso de espantalhos (comunismo é o mais usado) para fazer lavagem cerebral nas pessoas. Os seus discípulos usam o combate à corrupção como bandeira, mas fazem igual ou pior do que acusam nos adversários e se refestelam nas benesses do poder.
Faz uso do sentido de família (tradicional) para despejar seus preconceitos mais abjetos. Toma de assalto os símbolos nacionais, como movimento nacionalista que é. É escravocrata e supremacista. Se apropria do nome de Deus usando a religião como palanque político. Para o bolsolavismo a democracia não é um fim a ser alcançado, é o meio para chegar ao poder. A democracia para eles é “eu mando, você obedece” e o voto popular é a autorização para os desmandos.
Alexandre de Moraes é uma das poucas autoridades que não fica só em nota de repúdio contra a malta que está destruindo as instituições da República a serviço do projeto autocrata e autoritário que tem Jair Bolsonaro líder político, e Olavo de Carvalho como guia e mentor intelectual desse projeto de poder. Já Augusto Aras… O senhor Aras está transformando a PGR num puxadinho do Palácio do Planalto em troca de sabe lá o que. Agradecendo indicação fora da lista tríplice? A vaga aberta de Celso de Mello, no STF, em novembro ou a de Marco Aurélio Mello, em 2021, quando termina o mandato como chefe do MPF?
O Congresso Nacional está sendo comprado. O STF emparedado pelas milícias digitais. Os militares talvez não embarcariam numa nova aventura golpista. Marinha e Aeronáutica estão mais distante do governo, enquanto o Exército entrou de cabeça, quase uma intervenção branca. General Heleno piscou para os militares na nota golpista de sexta-feira (22) e militares da reserva estão assanhados. O que aconteceu no Ceará, em fevereiro, foi um teste na formação de um grupo para-militar similar aos “camisas negras” de Mussolini.
Mas o bolsonarismo não vai aplicar um golpe com tanques. O golpe (ou autogolpe) é a degradação dos poderes da República até sobrar só a presidência (e as Forças Armadas, se curvando ao presidente) como único poder incorruptível no imaginário popular. A única instituição confiável junto com as Forças Armadas e a igreja. Os “camisas negras” – grupo formado por PMs, militares de baixa patente e civis armados – ficariam de prontidão.
Chega de notas de repúdio e discurso conciliador com quem não quer conciliação. Não tem mais diálogo. O que sobrou das instituições tem que se impor e frear a escalada disruptiva quando ainda é tempo. Mas temo que seja tarde e pouco ou nada pode ser feito para evitar o pior.