Tejuçuoca elege a primeira prefeita

Heloide Estevam (PMDB) venceu a disputa e tornou-se a primeira mulher eleita prefeita do município

Em Tejuçuoca, distante 144 Km de Fortaleza-CE, Heloide Estevam (PMDB) venceu a disputa e tornou-se a primeira mulher eleita prefeita do município emancipado há 28 anos. Heloide venceu Mota Filho (PRTB), por 6.420 votos (54,09%) a 5.449 votos (45,91%).

Por bairros/localidades e distritos, a divisão ficou assim: a situação foi a vencedora na sede do município e nas localidades menores; no principal distrito, a oposição saiu vencedora.

Se somarmos a Sede com o principal Distrito, Mota Filho (2.926) venceu Heloide (2.822) com uma diferença mínima de 104 votos. Já Heloide, venceu nas demais localidades (incluindo a Sede do município) por 1.075 votos de vantagem, com diferença total de 971 votos.

Podemos concluir que a vitória de Heloide foi construída na faixa mais rural da cidade. Faltou mais poder de alcance para a candidatura da oposição nas localidades mais afastadas dos centros urbanos, o que não faltou para a candidatura da situação.

Partidários e o principal mentor da candidatura de Heloide, o seu marido e ex-prefeito Edilardo Eufrásio, esperavam uma vitória mais expressiva – em torno de 2.000 ou 3.000 votos de diferença. Ou seja, a vitória da situação ficou abaixo da expectativa.

Uma característica peculiar é que neste município os partidários dos candidatos apostam entre eles quem vai vencer e ainda dão a popular “lambuja”, a diferença de votos. O próprio ex-prefeito se gabava nas ruas e palanques que as coligações que apoiam Heloide elegeriam até 9 vereadores (11 vagas), fez 7, não conseguiu o seu objetivo de “liquidar” com a oposição, que vai ser minoria na próxima legislatura, mas pode ao menos fazer barulho para futura prefeita.

Muitos apoiadores de Heloide perderam motos e dinheiro apostando em um vitória dela por larga margem de votos. Acreditavam que a oposição não tinha força política e financeira. Tiveram que aceitar o prejuízo financeiro.

O sentimento de mudança depois de uma administração precária nos últimos quatro anos na cidade fez a oposição surpreender nas urnas. Não foi suficiente para vencer, mas a população deu o seu recado para o grupo político que está no poder há 12 anos e para a nova prefeita. Nada de cruzar os braços depois da eleição e deixar a cidade abandonada, com serviços públicos precários.

Vitória consagradora de João Doria e Alckmin em São Paulo

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João Doria foi eleito novo prefeito de São Paulo e no primeiro turno. O candidato bancado pelo governador Geraldo Alckmin e que rachou o PSDB paulista teve 3.085.187 de votos, seus rivais ficaram bem atrás. Uma vitória consagradora não só por ter sido no primeiro turno, mas por vencer na Zona Leste, reduto historicamente petista.

A vitória de João Doria é uma vitória de Alckmin para disputa presidencial de 2018 dentro do PSDB, contra o Ministro das Relações Exteriores, José Serra, e o Senador Aécio Neves. Aécio tentou minimizar a importância de Alckmin na vitória de Doria, mas ele sabe que, mesmo fazendo João Leite prefeito de Belo Horizonte – disputa o segundo turno contra Alexandre Kalil -, o Governador paulista se cacifou. O Senador mineiro ainda aposta no poder que tem nos diretórios estaduais.

Já o futuro prefeito da maior cidade do país, João Doria se cacifou para a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes (sede do governo estadual de SP) com essa vitória consagradora, mas já disse que pretende cumprir o mandato de quatro anos pelo qual foi eleito e só. Não pretende disputar nem reeleição, por ser contra a mesma.

Sobre os adversários do tucano, a derrota mais dura não foi a do PT com Haddad, foi pelo simbolismo da queda do petismo nessas eleições em todo Brasil, nem a esperada queda de Celso Russomanno (de novo). O resultado de Marta Suplicy, porém, foi desastroso para a neopeemedebista. Ela esperava que seu histórico a levasse pelo menos ao segundo turno, só que terminou em quarto lugar, o último entre os principais candidatos. E, nem ganhando em duas zonas eleitorais, as únicas que Doria não venceu, Marta volta ao Senado Federal sem força eleitoral dentro do PMDB, sem conseguir apoio do enorme grupo antipetismo que tem em São Paulo e perdeu o apoio dos petistas.

A disputa super polarizada no interior

Para um cidade com menos de 20 mil habitantes e 13 mil eleitores, a eleição municipal é o assunto do momento

eleicoes-tejucuocaHeloide Estevam e Amilton Camelo – Mota Filho e Rita de Cássia

Em Tejuçuoca, distante 144 Km de Fortaleza-CE, a disputa eleitoral está até nas pesquisas de intenção de voto. Uma pesquisa mostra a candidata Heloide Estevam (PMDB) com 60,12% dos votos, contra 31,78% do candidato adversário. No dia seguinte, uma outra pesquisa mostra o candidato da oposição, Mota Filho (PRTB), com 58%, contra 31,33% de Heloide.

Para um cidade com menos de 20 mil habitantes e 13 mil eleitores, a eleição municipal é o assunto do momento e ânimos estão à flor da pele. Quem não é “jacaré” (partidários de Heloide) é “bodó” (partidários de Mota Filho), e vice-versa. E quem não é um ou outro, fica no meio do fogo cruzado.

Heloide Estevam é esposa do ex-prefeito da cidade, Edilardo Eufrásio, que teve Eurice Mota como sua vice-prefeita, a esposa de Mota Filho. O vice-prefeito na chapa de Heloide é Amilton Camelo, que há menos de seis meses era oposição e fazia duras críticas e acusações de corrupção tanto a Edilardo quanto ao atual prefeito Valmar Bernardo, o segundo abriu mão da reeleição em favor de Heloide, mas não entrou na campanha da mulher do seu padrinho político e não aparece nas fotos, bandeiras, jingles, nem subiu nos palanques durante os comícios. Boatos de que Edilardo vetou Valmar nos palanques da esposa, talvez foi um dos acordos para tirar Amilton da oposição.

De todo modo, uma das duas pesquisas está equivocada (ou as duas estão erradas…). Falta um dia e meio para a eleição e conhecer o vencedor. Se os “jacarés” que comemorarão ou se os “bodós” que farão a festa. Independente do resultado, quem não é “jacaré” ou “bodó” só espera que o próximo prefeito, ou prefeita, faça uma administração séria, honesta, eficiente e melhore pelo menos em parte os problemas da cidade, que são muitos (saúde, segurança, crise hídrica, obras inacabadas como o saneamento do esgoto da cidade…).

Coronelismo nas eleições dos rincões

Quem troca o voto por dinheiro ou por favores particulares não pode reclamar do descaso do poder público

coronel

Eu prezo muito a liberdade. Eu não trocaria minha liberdade por nada. Não trocaria minha liberdade por um emprego em um serviço público para ganhar um mísero salário enquanto alguns “espertos” ganham verdadeiras fortunas para não fazer absolutamente nada em prol dos cidadãos e para cidade. Só coçar o saco e bajular seus políticos preferidos nas calçadas.

Sei que tem muita gente que precisa do pouco que ganha da prefeitura, mas ser obrigado a ir em comícios, carreatas e passeatas de candidatos por pressão, por terrorismo, por medo de perder o emprego, torna o ameaçado capacho de políticos que fazem de tudo para não perder a boquinha e os privilégios do poder. Essas práticas são vergonhosas e muitos políticos usam e abusam delas.

Principalmente nos rincões mais afastados, onde a prefeitura é a principal e às vezes a única fonte de renda. O coronelismo está arraigado na cultura brasileira, mais especificamente no nordeste brasileiro. O coronelismo pode mudar suas práticas e usar uma roupagem mais moderna, mas por dentro é o mesmo. Essas práticas são incorporadas em políticos que pensam que são os donos de uma cidade apenas por vencer a eleição municipal.

Esses políticos usam o voto de gente pobre e ignorante para tomar o poder da cidade, usam as verbas públicas em proveito próprio, em benefício de familiares, de amigos íntimos e comparsas de assalto aos cofres públicos. E são beneficiados pela cultura de impunidade do país, que só agora começa a ser quebrada. A “Lava Jato” ainda não chegou nos rincões mais afastados e talvez nunca chegue. Sorte dos políticos que fazem de tudo para vencer a eleição, de compra de votos passando por chantagem, para se perpetuar no poder.

Não inocento quem vende o voto por uma cesta básica, uma geladeira nova, um fogão novo, uma dentadura mais resistente ou por 50 reais para beber todo em cachaça e/ou cerveja. Quem troca o voto por dinheiro, ou por favores particulares, não pode reclamar do descaso do poder público.

Mas já dizia o poeta: O roçado do político é a miséria do povo. Se o povo for instruído, o político safado e corrupto vai à falência. Enquanto isso não acontece, a falência é da classe política. E quem sofre é quem precisa de um hospital com médicos e remédios; uma boa educação para seus filhos; segurança para suas casas e comércios, para andar nas ruas sem ter medo de ser assaltado ou morto; moradia decente, saneamento básico, enfim, serviços públicos dos mais básicos que são obrigatórios e, infelizmente, são deixados de lado.

A esquerda votaria no PSDB contra Russomanno?

A esquerda caminha para ficar de fora do segundo turno em São Paulo

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Pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (26) confirma a ascensão de João Doria (PSDB), queda de Celso Russomanno (PRB) e de Marta Suplicy (PMDB). Como está na reta final faltando poucos dias para o primeiro turno, fica improvável uma reviravolta muito grande.

A dúvida que fica é: em caso de segundo turno entre João Doria e Russomanno, a esquerda paulistana votaria no candidato do PRB para derrotar o candidato do PSDB? Ou vice-versa?

Contra o PSDB tem a rivalidade do PT nas disputas nacionais. Criou-se uma atmosfera de que quem é de esquerda não vota em tucano. Ainda mais sendo João Doria Jr., o candidato-empresário. Contra Russomanno, a rejeição é por ser candidato ligado a Igreja Universal, de Edir Macedo. E por tratar o cidadão apenas como um consumidor.

Partidários de Fernando Haddad (PT) e Luiza Erundina (PSOL) disputam quem é o verdadeiro candidato da esquerda e pelo tal “voto útil”. Só que o “voto útil” é em Marta, a ex-pestista que a esquerda passou a não gostar por ter ido para o PMDB e votado a favor impeachment. A esquerda caminha para ficar de fora do segundo turno em São Paulo, o baque será grande. Principalmente para o PT.