
Deltan Dallagnol e seus comparsas da força-tarefa de Curitiba tentaram buscar informações contra Gilmar Mendes na Suíça. Não encontraram nada. Mas só o ato já é de uma gravidade monstruosa. Não é de hoje que a força-tarefa da Lava Jato tenta tirar o ministro Gilmar do meio do seu caminho, pois foi um dos primeiros a criticar e formar resistência aos métodos fora da lei que passaram a ser adotados pela operação em nome de uma depuração ética e moral.
Os vazamentos do jornal El País, em parceria com The Intercept Brasil, carimba em definitivo a força-tarefa de Curitiba como uma organização criminosa. Os diálogos comprovam que os procuradores não só selecionavam seus alvos para preventivas, coercitivas, vazamentos de delações para a imprensa, também passaram a investigar seus críticos e desafetos ilegalmente. Não se trata só de “fofocaiada”. Atentaram contra a intuição STF para que seu projeto megalomaníaco não tivesse obstáculos.
Assusta como aquela turma de procuradores de Curitiba não tem o menor apreço pelo rito legal, pelas leis, Constituição, Estado Democrático de Direito e o deboche achando que suas tramoias nunca seriam descobertas. Assusta mais como eles capturaram uma enorme parcela da população que aceita tudo que fizeram porque prenderam corruptos. A impunidade reinante no Brasil desde 1500 pode até no primeiro momento justificar, mas não é justificável o que fizeram. E as mensagens mostram que não era apenas para desmantelar um esquema de corrupção, o objetivo era tornar o Ministério Público, já agigantado, onipotente.
As mensagens publicadas pelo El País e dias antes pela Folha deixaram a biografia do palestrante de power point das Araucárias no lixo da história. Resta saber se tem alguém nessa republiqueta para punir Deltan e cia ou só tem covarde e bajulador dos justiceiros de Curitiba.



