Trump é oficialmente o presidente eleito dos EUA

Donald J. Trump é oficialmente declarado presidente eleito dos EUA para o quadriênio 2025-2029. O republicano Trump venceu a eleição de novembro de 2024 contra a democrata Kamala Harris, atual vice-presidente.

Diferente de 2016, quando Trump perdeu para Hillary Clinton no voto popular e ganhou no colégio eleitoral, agora ele venceu nas duas modalidades.

COLÉGIO ELEITORAL

Trump conquistou o total de 312 delegados nos 50 estados americanos; Harris ficou com 226 e, no cargo de vice-presidente, teve que certificar a vitória de seu adversário e a própria derrota.

Não acontecia o vice-presidente candidato a presidente derrotado na eleição certificando a vitória do adversário desde Al Gore, contra George W. Bush, em 2001. Na última certificação em 2021 houve a invasão ao Capitólio de trumpistas ensandecidos tentando parar e reverter a certificação da vitória de Joe Biden.

VOTO POPULAR

Trump teve 77.303.573 votos (49,9%) e Harris teve 75.019.257 votos (48,4%).

Resta a posse marcada para 20 de janeiro quando começa o segundo governo Trump aí saberemos como será para a América e todo o mundo.

Maduro não vai cair sozinho

Dificilmente vai ser por vias legais e eleitorais que o regime ditatorial de Maduro vai cair. Não sou a favor do uso da força nem de revoluções, mas não vejo outro caminho

O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela declarou Nicolas Maduro reeleito para mais um mandato no país. Maduro está no poder desde 2013, após a morte de Hugo Chavez. Ele teria vencido seu opositor por 51% a 44% dos votos. Mas a sua vitória é muito questionada pela oposição e outros países. A Venezuela vive num regime de exceção há anos. Maduro controla as instituições venezuelanas, inclusive o órgão eleitoral, e faz o que bem entender no país para seus interesses.

O resultado desta eleição está muito viciado por medidas tomadas antes e durante a eleição pelo governo, como restringir o acesso ao voto de venezuelanos que moram fora, fechamento das fronteiras para exilados não voltarem e poder votar, além de desconvidar observadores internacionais da União Europeia e proibir a entrada de ex-presidentes de outros países para acompanhar a eleição. A principal líder de oposição Maria Corina Machado foi impedida de participar da eleição. A sua substituta também não pôde se inscrever numa manobra até hoje sem explicação. A oposição foi para disputa com o diplomata Edmundo González, desconhecido de boa parte da população.

Maduro falou na campanha que, se não ganhasse, haveria uma banho de sangue e guerra civil fratricida na Venezuela. Até o presidente Lula o criticou suavemente e levou em resposta que tomasse chá de camomila. Respondendo sobre suspeita de fraude na eleição Maduro disse que o sistema eleitoral venezuelano é um dos mais seguros e criticou os de Brasil, Colômbia e EUA que não seriam auditados, o que levou o TSE brasileiro a desistir de enviar técnicos para acompanhar a eleição e soltar nota dura como resposta.

A questão é como é possível confiar no resultado anunciado pelo conselho eleitoral venezuelano. A oposição acusou que as atas das urnas não estavam sendo entregue como manda a lei. A Venezuela vive sob um regime autoritário e violento. Não tem como confiar no resultado divulgado pelo conselho eleitoral chavista.

Como fica o Brasil? O governo Lula vai chancelar uma eleição viciada que não foi justa nem livre e que se tem dúvida sobre o seu resultado? Muitos países, de governos de direita e esquerda, não reconheceram o resultado da eleição na Venezuela. Apenas países alinhados ao regime reconheceram o resultado, a maioria autocratas. Será um grande vexame histórico da nossa diplomacia reconhecer o resultado por questões ideológicas, mas com Celso Amorim como conselheiro do Lula para política externa não se duvida.

Dificilmente vai ser por vias legais e eleitorais que o regime ditatorial de Maduro vai cair. Não sou a favor do uso da força nem de revoluções, mas não vejo outro caminho para a Venezuela. Não vejo Maduro desistindo do poder e das benesses, até para não responder por seus crimes. A questão é que a oposição não tem instrumentos para uma tomada de poder pelas armas sem apoio internacional. Os EUA e outros países aceitariam intervir na Venezuela?

Pobres venezuelanos que continuarão a viver sobre um regime autocrático e provavelmente o êxodo de pessoas fugindo de condições degradantes resultado de políticas errôneas vai continuar e até aumentar atingindo principalmente países vizinhos como o Brasil.

Biden não resiste à pressão

O presidente dos EUA Joe Biden renunciou à candidatura pela reeleição na eleição americana que será disputada em novembro. Biden vinha sofrendo muita pressão de correligionários do partido democrata, de financiadores de campanhas dos democratas e de militantes.

Biden sentiu muito o ex-presidente Barack Obama engrossar o coro pela desistência dele. Lembrando que Biden foi o vice de Obama e foi importante para ele vencer resistências nas campanhas que o ex-presidente venceu.

A pressão pela desistência começou pelo desempenho de Biden no debate na CNN e só cresceu com gafes do presidente. E o temor de Donald Trump voltar à Casa Branca. Mas nas pesquisas Biden vem mantendo uma disputa acirrada com Trump.

Na carta de renúncia Biden deu seu apoio para a vice-presidente Kamala Harris ser a indicada do partido. Vejo que, se o partido democrata indicar Kamala, vai ficar mais fácil para Trump.

Vejo ela como representante de uma esquerda radical do partido democrata e seria tudo que o republicano deseja enfrentar. Aliás, Trump já lançou pedras a ela antes mesmo de indicada.

Se o partido democrata deseja manter sua permanência na Casa Branca tem que ter um candidato que dialoga com o eleitorado conservador e de centro. Não vai adiantar ter o eleitorado democrata fiel, vencer nos estados que dão vantagem ao partido e perder nos estados que decidem eleições no colégio eleitoral.

Trump sai fortalecido do atentado

Donald Trump sofreu neste sábado, 13, um atentado na Pensilvânia. O ex-presidente dos EUA iniciava seu discurso para apoiadores quando houve os disparos, Trump botou a mão no rosto e se abaixou, foi protegido e retirado do local por seus seguranças. Ele saiu sangrando e foi atendido por uma equipe médica.

Lembra algo? Em 6 de setembro de 2018, o candidato Jair Bolsonaro foi esfaqueado por Adélio Bispo. Quase morreu. No mês seguinte foi eleito presidente da República do Brasil.

Atentados contra políticos lamentavelmente acontecem e quando a vítima não morre ela se fortalece politicamente. Não tenho dúvida que esse atentado vai fortalecer a candidatura de Trump.

Se para os seus apoiadores Trump já era apontado como vítima de perseguição pelos processos que responde na justiça, agora irão pensar que há gente grande que o quer morto. E não duvido que essa teoria (conspiratória) seja alimentada pelo próprio Trump, que acredita até hoje que houve fraude nas eleições de 2020 em que ele perdeu para Joe Biden.

Claro que os detratores dele logo já levantaram a teoria (conspiratória) que se trata de uma armação. Até hoje tem gente que acredita, inclusive jornalistas, que a facada em Bolsonaro foi uma farsa.

Não levam em conta que muitas pessoas participaram do episódio. Médicos e enfermeiros da Santa Casa de Juíz de Fora/MG, cidade onde aconteceu o atentado, os médicos do hospital Albert Einstein, em São Paulo, para onde Bolsonaro foi levado, os seguranças que o acompanhavam na campanha. É muita gente envolvida para uma armação de um atentado.

A Polícia Federal investigou duas vezes o caso sem apontar que foi uma farsa e concluiu que Adélio agiu sozinho para a irritação da família Bolsonaro que até hoje jura que o atentado teve mandante.

Normalmente, atentados contra políticos assim são de “lobos solitários”, de pessoas que não gostam de certos candidatos e sofrem de transtornos mentais.

Nos países onde a polarização se tornou tóxica a chance de acontecer algo como esse atentado contra Trump e o contra Bolsonaro é altíssima. Não à toa que os dois são polêmicos, atraem alta rejeição e são vistos como inimigos de determinados grupos sociais/políticos.

Javier Milei toma posse como novo presidente da Argentina

O sucesso do governo Milei pode ser propulsor de uma onda à direita no continente

O presidente eleito na eleição presidencial da Argentina, realizada em segundo turno no dia 19 de novembro de 2023, Javier Milei tomou posse hoje, dia 10 de dezembro de 2023, para um mandato de 4 anos. Milei surpreendeu ao vencer as prévias (PASO) em agosto, terminou o primeiro turno em outubro em segundo lugar atrás do candidato e atual ministo da Economia Sergio Massa. No segundo turno, Milei venceu Massa por 56% a 44% dos votos.

Com seu jeito diferente e linguajar fora da política tradicional, o liberal-libertário Javier Milei convenceu os argentinos que era a hora de mudar, de tentar algo novo fora do peronismo/kirchnerismo ou de uma direita/centro-direita tradicional. Mas Milei precisou se aliar justamente com a direita tradicional para vencer a eleição. O apoio da terceira colocada Patricia Bullrich e do ex-presidente Mauricio Macri foi fundamental para a consagradora vitória de Milei.

Agora vem a parte mais complicada que é administrar um país quebrado, com inflação anual na casa dos três dígitos, a pobreza assolando quase metade da população, um país viciado em subsídios e sindicalizado. O novo presidente tem uma tarefa árdua que é fazer mudanças drásticas sem pensar em popularidade e reeleição, porque o que a Argentina precisa é de uma ruptura com um modelo econômico fracassado.

Macri fracassou porque lhe faltou ousadia. Tentou fazer mudanças graduais. O gradualismo não tirou a Argentina da crise. Milei sabe disso e em seu discurso alertou: “Hoje começa uma nova era na Argentina. Hoje terminamos com uma história de decadência e damos início à reconstrução do nosso país (…) Nenhum governo recebeu uma herança tão maldita do que a que estamos recebendo (…) ideias empobrecedoras do coletivismo adotadas pelos ex-presidentes. Insistem há mais de cem anos na defesa de um modelo que só produz pobreza. (…) Não há espaço para discussão entre o impacto [do ajuste] e gradualismo (…) É a última bebida amarga para iniciarmos a reconstrução da Argentina”.

O povo argentino vai precisar ser paciente porque mudanças bruscas não se fazem sem turbulências. A bebida amarga que o presidente empossado diz é necessária para curar o país que está em crise há décadas. Se a popularidade de Milei resistir aos primeiros anos que serão conturbados, vai precisar costurar uma base de apoio no Congresso para implementar suas ideias, além de medidas impopulares sem necessidade de aprovação no Parlamento, aí sim pode pensar na reeleição.

Mas Milei precisa pensar primeiro em curar o paciente mesmo que isso lhe custe um grande pedaço da sua popularidade em um período curto. Parece que ele tem isso como compromisso com a nação argentina. Se fazer o ajuste fiscal que precisa ser feito, aprovar no Congresso reformas e sua popularidade não cair muito nos dois primeiros anos, nos dois anos finais já pode surfar em resultados positivos na economia.

O sucesso do governo Milei pode ser propulsor de uma onda à direita no continente. O presidente brasileiro sabe disso e por isso se engajou na campanha derrotada. Lula não estava muito preocupado com o Mercosul – acredito que sobre o bloco Milei não vai retirar a Argentina dele, mas tomar novos rumos até porque juntando Argentina, Paraguai e Uruguai forma-se maioria -, mas com a “frente fria” vinda do país vizinho que pode influenciar já nas eleições municipais de 2024 e na presidencial de 2026.

Para a eleição argentina influenciar na eleição brasileira de 2026, porém, vai depender de como estará nossos hermanos até lá e como estará o Brasil.