Verdades sobre o tarifaço de Trump

Donald Trump revogou parte das tarifas contra o Brasil porque elas estavam pesando na inflação dos EUA e os americanos estão culpando o “laranjão”. A surra que os republicanos levaram nas eleições de vários estados neste mês e a baixa popularidade do próprio Trump ligaram o sinal de alerta para as eleições legislativas de meio de mandato em 2026.

Por outro lado, não podem ser desprezadas como estão por alguns comentaristas de economia e política as negociações do governo brasileiro capitaneados pelo chanceler Mauro Vieira e o vice-presidente e ministro da indústria Geraldo Alckmin, além do lobby de empresários brasileiros juntos com empresários americanos na Casa Branca.

O tarifaço não foi sobre Jair Bolsonaro (Trump usou o caso dele para ganhar apoio aqui dos ditos patriotas). É uma das armas geopolítica para os americanos recuperar domínio no que chamam de seu quintal, a América Latina.

Sobre Lula, o presidente brasileiro usou a bandeira da soberania para ganhar politicamente (conseguiu em certa medida), mas não pode achar que já ganhou a disputa nem que foi por “química”. Mas ao encarar Trump e não abaixando a cabeça como muitos brasileiros da imprensa e do mercado queriam ganhou a simpatia dele, porque é notório que o presidente americano gosta de ser bajulado, mas não gosta de bajulador, principalmente na relação com líderes de nações.

Família Bolsonaro quer súditos

A guerra aberta no bolsonarismo em Santa Catarina por causa da candidatura de Carlos Bolsonaro para o Senado imposta por Jair Bolsonaro causou fissuras neste campo político, já debilitado pela condenação por tentiva de golpe de estado do seu líder, que logo começará a cumprir a pena.

Faz parte da família Bolsonaro largar aliados pelo meio do caminho. Basta o mínimo de divergência e a pessoa passa a ser “traidor”, infiltrado” e outros adjetivos piores. A família Bolsonaro se acha dona da direita brasileira.

Ana Campagnolo está passando pelo que passou Julian Lemos, Gustavo Bebianno, General Santos Cruz, Joice Hasselmann e muito outros que foram não só expulsos do grupo bolsonarista, mas tiveram uma verdadeira campanha de linchamento virtual para acabar com as suas reputações apenas por discordâncias.

A guerra no estado mais bolsonarista do Brasil pode rachar o bolsonarismo e comprometer os planos do PL para 2026.

Congresso Nacional travado

Quase no fim de 2025 e o Congresso Nacional não aprovou nada de relevante para a comunidade brasileira. O assunto que monopolizou o parlamento foi a anistia. Anistia aos presos de 8 de janeiro de 2023. O tema não saiu das discussões. Esquenta e esfria conforme os acontecimentos.

Com o fim do julgamento do núcleo principal da trama golpista, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de reclusão, a oposição não quer saber de nada sem ser a anista. E tem que ser anistia ampla, geral e irrestrita. Não querem só livrar Bolsonaro da cadeia. Querem o reabilitar politicamente para ser candidato em 2026.

Travam discussão de qualquer outro tema e já chegaram ao ponto de sequestrar as mesas da Câmara e Senado, o que é diferente da obstrução parlamentar. Desmoralizaram Hugo Motta buscando acordo com o ex-presidente Arthur Lira e o impedindo de sentar na cadeira da presidência. Motta é um presidente fraco que tenta se equilibrar entre governo e oposição, pois foi eleito com votos de ambos.

Oposição exige anistia ampla, o “centrão” deseja uma “light” (além de uma PEC que reforce prerrogativas dos parlamentares vista como uma blindagem aos políticos) que livre Bolsonaro sem devolver os seus direitos políticos, porque seu plano é ter os votos do bolsonarismo sem ele; STF avisando que esse tipo de anistia seria inconstitucional por anistiar crimes contra a democracia e o Estado democrático de direito. Já o governo não quer anistia, mas aceita conversar diminuição de pena aos vândalos do 8/1.

Presidente do Senado, Senador Davi Alcolumbre articula com ministros do STF e o governo um texto que exclua alguns crimes contra os condenados do 8/1, mas a oposição não aceita. Ou seja, a preocupação com “senhorinhas de bíblia na mão” não passa de narrativa. Quer incluir todos e tudo desde 2019. Até quem já foi e pode ser condenado a inelegibilidade pelo TSE. A proposta da oposição é praticamente um salvo-conduto que beneficiaria qualquer um, inclusive integrantes de PCC, CV, etc.

Enquanto isso, as pautas de apelo verdadeiramente popular não avançam e debates de temas importantes travados. É hora de Hugo Motta se impor ou vai chegar no fim do mandato sem nada de legado para mostrar e até pior: como um presidente da Câmara fraco e manipulado. Vale para o Alcolumbre.

Moraes relembra golpes do passado em voto

O voto do ministro Alexandre de Moraes pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de direito entre outros crimes é um acerto de contas do país com seu passado repleto de tentativas de golpes, umas bem sucedidos e outras, não.

Felizmente, a última não teve êxito por um “não” de dois dos três comandantes das Forças Armadas. Moraes relembrou algumas das tentativas golpistas, todas com êxito, para mostrar que golpes de Estado e abolição do Estado de direito são independentes.

1823: D. Pedro I fechou a assembleia constituinte para impor uma constituição como ele queria.

1930: Getúlio Vargas deu o golpe derrubando o governo de Washington Luís para impedir a posse do presidente eleito Júlio Prestes, pondo fim a primeira República e implementando a ditadura do Estado Novo posteriormente.

1964: As Forças Armadas juntas com setores da sociedade civil e política deram o golpe em João Goulart prometendo entregar o poder logo. Esse “logo” demorou 20 anos.

O que esses eventos tem em comum é que em todos eles os militares estavam dando suporte ou sendo protagonistas contra a democracia. Após o golpe em 1964, os militares eliminaram o Estado de direito com os Atos Institucionais. É aí que Moraes mostrou no seu voto (no vídeo) a diferença entre golpe de Estado e abolição do Estado de direito.

O golpe de Estado é tentar destituir ou impedir por meio da força um governo democraticamente eleito, enquanto abolição do Estado de direito (nem precisa ser democrático como aconteceu após 1964) é atacar uma das instituições que o sustenta para esse fim.

Veremos a conclusão do julgamento e seus desdobramentos, esperando que o país vire de vez a página do golpismo.

O presente de Eduardo e Trump a Lula

Donald Trump e Eduardo Bolsonaro deram um presente ao presidente Lula. Ao impor tarifa ao Brasil e sanção a autoridades brasileiras impulsionaram a popularidade de Lula e uma bandeira ao governo: defesa da soberania.

Junto com a queda nos preços dos alimentos o ataque americano ao país articulado pela família Bolsonaro fizeram o brasileiro ficar ao lado do seu líder, como aconteceu nos países que Trump tentou interferir politicamente. E quem não rechaçou sem tergiversar o ataque dos EUA também foi afetado.

A maioria ainda reprova o governo Lula, mas a rejeição vem caindo e o risco à reeleição do presidente também.

Eduardo foi para uma missão suicida que acabou por favorecer Lula, trucidou sua carreira política e fez a situação jurídica do próprio pai ficar mais complicada.